A adição de biodiesel ao diesel de petróleo vem provocando problemas de qualidade no produto vendido nos postos brasileiros. Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), 5,2% das amostras de diesel coletadas em postos durante o mês de março estavam fora das especificações, maior índice registrado desde 2004.
Segundo Paulo Miranda, presidente da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis (Fecombustíveis), o biodiesel provoca alterações na consistência do produto final, com o surgimento de borras e a proliferação de bactérias. Além dos danos a veículos, o problema promove prejuízo aos postos, que tiveram que intensificar a limpeza de tanques e trocas de filtros.
Desta forma, a Fecombustíveis, que representa os postos, aprovou em maio determinação para que seus associados entrem na Justiça contra distribuidoras, caso tenham que ressarcir consumidores prejudicados pela baixa qualidade do diesel – que hoje recebe 5% de biodiesel, produto conhecido como B5. As distribuidoras concordam que há indícios de que a adição de biodiesel vem provocando problemas de qualidade no diesel e pedem uma análise detalhada da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Mistura progressiva
A proposta inicial era de que o B5 só fosse implementado em 2013, mas foi antecipado por causa do crescimento inesperado na capacidade de produção. Atualmente, os produtores já teriam condições de atender uma mistura com 10% de biodiesel (B10).
Para eles, a responsabilidade sobre os problemas de qualidade está no manuseio e armazenagem do produto pelos postos. Sérgio Beltrão, diretor executivo da União Brasileira do Biodiesel, defende a manutenção no ritmo de aumento da mistura, com a adição de 6% já no segundo semestre. A ANP se comprometeu a analisar a questão.
Fonte: O Estado de S. Paulo